Quando a gente mora em Brasília (ou a Brasília véa-sem-lei, ou simplesmente, Brasa... como alguns amigos meus preferem chamá-la) a gente fica meio perdido. É uma cidade que tem seus 2 milhões de habitantes, o que é relativamente grande (não pode ser considerada de jeito nenhum como uma cidade "pequena".
O problema é que grande parte desses 2 milhões de habitantes vive nas cidades-satélites e desce para o Plano Piloto de manhã para trabalhar e volta pra casa no final do dia. Como é uma cidade conhecida pela falta de opções de lazer, todo mundo se encontra na night, seja indo para uma festa, seja indo para um bar, seja indo ao cinema. Não é incomum a gente encontrar umas 30 pessoas se for na festa junina do Country, ou na festa Junina da Asbac, ou na fila do cinema do Pier 21 e por aí vai...
Até eu vir para o Japão, sempre foi assim. Quase todo mundo que eu conheço em Bsb não precisa de 6 graus de separação. Acho que, se a gente olhar direito, acaba parando no 3o ou 4o grau. Sempre tem um cara que conhece um moleque que conhece você..
Quando eu vim para cá em 2006, o meu universo de "amigos" se multiplicou por infinito.
Mas mesmo assim, as coincidências da vida acabam acontecendo. Três casos que aconteceram comigo aqui.
Situação 1 - Em julho desse ano, uma menina coreana que morava aqui no meu dorm foi embora para a Coréia. Como o aeroporto de Kansai fica longe pra carai de tudo, combinamos de alugar dois carros e levá-la até o aeroporto. Como já estaríamos com o carro o dia inteiro, escohemos ficar com o carro e aproveitar para ir à praia e fazer um churrasco.
Chegamos na Praia e começamos a preparar as coisas, fazer o fogo e tals. Estávamos usando jornal para começar o fogo, quando dois funcionários do parque onde estávamos chegam para pedir para trocarmos o jornal por umas pinhas que estavam caídas no chão. Conseguimos fazer o fogo e o papo com os dois velhinhos (uma velhinha e um velhinho gente boa pra carai) foi continuando. Como acontece com todo o gringo aqui no Japão, nos perguntaram nossos nomes, de onde viemos e tal.
Quando falei que era brasileiro e que vinha de Brasa, o velhinho vira pra mim e me diz que o filho mais velho dele está no Brasil, dando aulas de japonês na Universidade de Brasília. Perguntei para ele o nome do filho e ele me falou, SACHIO NEGAWA, professor conhecido na UnB, que já tinha me dado aulas em 2 semestres.

Situação 2 - Fui para Pusan, na Coréia em setembro para visitar essa amiga que tinha voltado para casa. O número de alunos coreanos que vem para o Japão é sinistro. Quase tão grande quanto os chineses. Junto com essa amiga, vieram outras 4 meninas, uma das quais ficou conhecida por ser muito gatinha (segundo o pessoal daqui). Eu não cheguei a conhecer direto pois quando o pessoal estava chegando eu estava com visita e não estava ficando muito tempo no Dorm.
Pois bem, as coreanas todas voltaram para casa. Quando estávamos combinando a viagem para a Coréia, tentei avisar as duas outras meninas que moram em Pusan que estávamos indo para lá, mas acabou não dando certo. Chegando lá, a primeira coreana, que tínhamos levado até o aeroporto foi nos buscar no aeroporto. No primeiro dia, fomos até a universidade de Pusan, pois uma das novas coreanas que tinha chegado no dorm tinha dito ao meu amigo americano que ele devia ir até lá e tirar uma foto na frente da universidade para mandar pra ela.... (vai entender...). Pois bem, fomos até lá e resolvemos parar para descansar num Dunkin Donuts. No meio do caminho, em meio a milhares de pessoas coreanas, olho uma menina e penso "Hum, ela se parece com aquela mina que morava no dorm....". Antes de eu conseguir terminar o pensamento ela arregala os olhos e solta um grito. ERA mesmo a menina que morava no dorm, que mora nos arredores da universidade e estava voltando para casa...

Situação 3 - Logo que cheguei no Japão, meus amigos japoneses fizeram uma espécie de festa de boas vindas para mim. Fomos jantar e todos passamos a noite na casa de uma das meninas. Durante a noite, conversamos com a família dessa amiga e surgiu o assunto de que eu estava estudando na Universidade de Osaka. Tempos depois, ela me diz que um cliente do pai dela no dia em que encomendou o projeto da casa para o pai dessa amiga, falou que era professor da Universidade.
A mãe dessa amiga, comentou que um amigo da filha dela era estudante da Universidade de Osaka. Quando o professor perguntou o nome desse amigo (meu nome), ele disse que conhecia o tal sujeito (eu)
Acabou que era um professor do meu departamento que dá as aulas de kanji no curso intensivo de japonês na Universidade de Osaka....
Mundo pequeno esse.....